Caminhos Possíveis – Rafael Segatto

O Abridor de Caminhos

Esta primeira mostra individual que o jovem fotógrafo Rafael Segatto (1992) inaugura na Galeria Homero Massena é resultante da pesquisa reflexiva e prática que ele desenvolveu ao longo do corrente ano, com o prêmio conquistado no Edital nº 15 da Secretaria de Estado da Cultura, na categoria Projetos de Exposições de Artes Visuais (2017). O título caminhos possíveis é tão instigante quanto sugestivo. Aponta para questões que, embora pareçam opostas, na verdade se entrecruzam: objetividade e subjetividade, razão e sentimento, realidade e imaginação, possibilidade e imprevisibilidade, certeza e dúvida, decisão e acaso. Aproxima o pensamento e o campo da arte, pois qualquer processo de criação remete à ideia de percurso, abertura e descoberta de novos caminhos. O ato criador, portanto, demove o artista de sua zona de conforto ou de segurança, da rotina e das normas que lhe são impostas pelo sistema hegemônico.

A vontade ou necessidade de desvelar novos caminhos levou Rafael Segatto à condição de exilado – mesmo que em mobilidade espontânea – em Belém do Pará. Lá ele mergulhou em uma realidade que lhe era até então distante e desconhecida. Durante a residência artística, realizada na Associação Fotoativa, tendo sido contemplado posteriormente com a bolsa do prêmio do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo, o jovem se deparou, inicialmente, com o estado de abandono, degradação das construções históricas, caos urbano e conflitos sociais, que lhe sugeriram a realidade de tantas outras cidades brasileiras. Mas lhe causaram mais impacto a grandiosidade dos rios, as cores e a exuberância da luz e da vegetação local, por atuarem como forças desmobilizadoras de conceitos, hábitos e visões preconcebidos.

Partindo do registro fotográfico de imagens capturadas durante essa experiência imersiva na Amazônia, mas também recorrendo a leituras, reflexões e trocas, o artista articulou a tessitura criativa de caminhos possíveis. Trata-se de uma instalação que perpassa diferentes dimensões que se complementam – ela reflete sobre a vida, a construção de afeto e de alteridade; mas também aponta para a circularidade do tempo. No entanto, não é ao tempo linear e cronológico posto pela ocidentalização do mundo que se refere o artista. Ele fala de um tempo biológico ou corporal, guindado pelo aqui e agora, ou seja, pelos fenômenos da natureza, como ocorreu com nossos ancestrais. É este tempo que continua orientando a vida cotidiana de muitas comunidades que dependem da pesca ou da agricultura para sobreviver: fases da lua, posição das estrelas, movimento das marés, direção dos ventos, períodos de chuva ou de seca, dia e noite…

caminhos possíveis compõe-se de um conjunto de fotografias digitais impressas com pigmento mineral, sobre grandes suportes de papel fotográfico: um tríptico, denominado A Queda do Céu, e o políptico em forma de cruz, abridor de caminhos e a suspensão do tempo, além de mudas de aroeira plantadas em vasos, posicionados nos cantos da galeria. Os trabalhos fazem referência à ruptura com o tempo cronológico e à energia cíclica, que rege a natureza e as travessias da vida. Fazem menção, ainda, à figura de Exu, orixá cultuado pelas religiões de matriz africana e responsável, segundo Segatto, “por conectar o mundo material ao mundo espiritual, além de ser considerado o guardião dos caminhos”.

Para teóricos como Philippe Dubois, uma imagem digital não se caracteriza mais como potência “indicial” ou “rastro”, uma vez que, diferentemente da fotografia analógica, não resulta, necessariamente, de algo que se colocou diante da objetiva em um dado momento. As câmeras digitais, smartphones e celulares tornaram as imagens pura ficção ou invenção. Resultam de programas, que permitem muito pouca interferência e mediação do sujeito que manipula o aparelho, e que permitem incluir nelas coisas e lugares nos quais nunca estivemos. Além disso, a imagética gerada por tais aparelhos não se destina mais a circular impressa em papel, para rememorar e perpetuar a memória de alguém querido ou um acontecimento que não queremos esquecer. As fotografias digitais são imagens efêmeras, nascem para circular no fluxo das redes sociais e para serem armazenadas na memória da câmera ou do computador por curto tempo, pois logo serão substituídas por novas imagens. Mas não é nessa esteira que transitam as fotografias sobre a pesca produzidas por Rafael Segatto, que subvertem ou põem em xeque tais prognósticos e preceitos teóricos. Até porque o artista continua se deslocando com a câmera, para flagrar aspectos do mundo que lhe interessam e com os quais interage. Também não se pode ignorar que tais imagens acabam se submetendo a determinadas trucagens ou interferências feitas no ato de edição, que passam pela saturação da cor, alteração de enquadramentos ou cortes.

O artista submete, assim, tal imagética a seu olhar sensível, elegendo a iconografia que melhor se ajusta ao conceito por ele formulado e ao contexto em que visa inseri-la, o que permite identificar o seu propósito de dialogar com a pintura. Isso se desvela na potência e intensidade luminosa do azul, geradas pela impressão das fotografias mediante a utilização de pigmento mineral. Essa cor reverbera por todo o espaço, tornando rio e céu um todo inseparável. O azul é atravessado apenas por uma forma pontiaguda vermelha, que corta o espaço como um raio, como se o artista pintasse com a luz. A essas características soma-se o resultado da decisão de ampliar e imprimir as fotos em dimensões que lembram as das telas pictóricas. Mas é ao dispor as imagens em forma de cruz que o artista destaca a encruzilhada desses dois caminhos, inserindo ali uma composição que se diferencia das demais pela cor e pelos elementos nela expressos: um conjunto de peixes, que sugere uma natureza morta. Isso torna a imagem o ponto focal, ao fazer convergir para ela o olhar do espectador, como no punctum de Roland Barthes. Mas essa composição não deixa de traduzir a ideia de oferenda a Exu, “senhor da fertilidade e do dinamismo, o criador do mundo e dos homens, o guardião da ordem e da desordem” (Vagner da Silva, 2013). A referência a Exu também é expressa pelos vasos de aroeira, planta que tem o poder de limpar e proteger o espaço expositivo e o caminho de quem por ele transita. Na tessitura de caminhos possíveis enredam-se, portanto, experiências, vivências, pensamentos e memórias afetivas e culturais do autor.                                                                                                                                                                               

Almerinda Lopes

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Caminhos Possíveis – Rafael Segatto

O Abridor de Caminhos

Esta primeira mostra individual que o jovem fotógrafo Rafael Segatto (1992) inaugura na Galeria Homero Massena é resultante da pesquisa reflexiva e prática que ele desenvolveu ao longo do corrente ano, com o prêmio conquistado no Edital nº 15 da Secretaria de Estado da Cultura, na categoria Projetos de Exposições de Artes Visuais (2017). O título caminhos possíveis é tão instigante quanto sugestivo. Aponta para questões que, embora pareçam opostas, na verdade se entrecruzam: objetividade e subjetividade, razão e sentimento, realidade e imaginação, possibilidade e imprevisibilidade, certeza e dúvida, decisão e acaso. Aproxima o pensamento e o campo da arte, pois qualquer processo de criação remete à ideia de percurso, abertura e descoberta de novos caminhos. O ato criador, portanto, demove o artista de sua zona de conforto ou de segurança, da rotina e das normas que lhe são impostas pelo sistema hegemônico.

A vontade ou necessidade de desvelar novos caminhos levou Rafael Segatto à condição de exilado – mesmo que em mobilidade espontânea – em Belém do Pará. Lá ele mergulhou em uma realidade que lhe era até então distante e desconhecida. Durante a residência artística, realizada na Associação Fotoativa, tendo sido contemplado posteriormente com a bolsa do prêmio do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo, o jovem se deparou, inicialmente, com o estado de abandono, degradação das construções históricas, caos urbano e conflitos sociais, que lhe sugeriram a realidade de tantas outras cidades brasileiras. Mas lhe causaram mais impacto a grandiosidade dos rios, as cores e a exuberância da luz e da vegetação local, por atuarem como forças desmobilizadoras de conceitos, hábitos e visões preconcebidos.

Partindo do registro fotográfico de imagens capturadas durante essa experiência imersiva na Amazônia, mas também recorrendo a leituras, reflexões e trocas, o artista articulou a tessitura criativa de caminhos possíveis. Trata-se de uma instalação que perpassa diferentes dimensões que se complementam – ela reflete sobre a vida, a construção de afeto e de alteridade; mas também aponta para a circularidade do tempo. No entanto, não é ao tempo linear e cronológico posto pela ocidentalização do mundo que se refere o artista. Ele fala de um tempo biológico ou corporal, guindado pelo aqui e agora, ou seja, pelos fenômenos da natureza, como ocorreu com nossos ancestrais. É este tempo que continua orientando a vida cotidiana de muitas comunidades que dependem da pesca ou da agricultura para sobreviver: fases da lua, posição das estrelas, movimento das marés, direção dos ventos, períodos de chuva ou de seca, dia e noite…

caminhos possíveis compõe-se de um conjunto de fotografias digitais impressas com pigmento mineral, sobre grandes suportes de papel fotográfico: um tríptico, denominado A Queda do Céu, e o políptico em forma de cruz, abridor de caminhos e a suspensão do tempo, além de mudas de aroeira plantadas em vasos, posicionados nos cantos da galeria. Os trabalhos fazem referência à ruptura com o tempo cronológico e à energia cíclica, que rege a natureza e as travessias da vida. Fazem menção, ainda, à figura de Exu, orixá cultuado pelas religiões de matriz africana e responsável, segundo Segatto, “por conectar o mundo material ao mundo espiritual, além de ser considerado o guardião dos caminhos”.

Para teóricos como Philippe Dubois, uma imagem digital não se caracteriza mais como potência “indicial” ou “rastro”, uma vez que, diferentemente da fotografia analógica, não resulta, necessariamente, de algo que se colocou diante da objetiva em um dado momento. As câmeras digitais, smartphones e celulares tornaram as imagens pura ficção ou invenção. Resultam de programas, que permitem muito pouca interferência e mediação do sujeito que manipula o aparelho, e que permitem incluir nelas coisas e lugares nos quais nunca estivemos. Além disso, a imagética gerada por tais aparelhos não se destina mais a circular impressa em papel, para rememorar e perpetuar a memória de alguém querido ou um acontecimento que não queremos esquecer. As fotografias digitais são imagens efêmeras, nascem para circular no fluxo das redes sociais e para serem armazenadas na memória da câmera ou do computador por curto tempo, pois logo serão substituídas por novas imagens. Mas não é nessa esteira que transitam as fotografias sobre a pesca produzidas por Rafael Segatto, que subvertem ou põem em xeque tais prognósticos e preceitos teóricos. Até porque o artista continua se deslocando com a câmera, para flagrar aspectos do mundo que lhe interessam e com os quais interage. Também não se pode ignorar que tais imagens acabam se submetendo a determinadas trucagens ou interferências feitas no ato de edição, que passam pela saturação da cor, alteração de enquadramentos ou cortes.

O artista submete, assim, tal imagética a seu olhar sensível, elegendo a iconografia que melhor se ajusta ao conceito por ele formulado e ao contexto em que visa inseri-la, o que permite identificar o seu propósito de dialogar com a pintura. Isso se desvela na potência e intensidade luminosa do azul, geradas pela impressão das fotografias mediante a utilização de pigmento mineral. Essa cor reverbera por todo o espaço, tornando rio e céu um todo inseparável. O azul é atravessado apenas por uma forma pontiaguda vermelha, que corta o espaço como um raio, como se o artista pintasse com a luz. A essas características soma-se o resultado da decisão de ampliar e imprimir as fotos em dimensões que lembram as das telas pictóricas. Mas é ao dispor as imagens em forma de cruz que o artista destaca a encruzilhada desses dois caminhos, inserindo ali uma composição que se diferencia das demais pela cor e pelos elementos nela expressos: um conjunto de peixes, que sugere uma natureza morta. Isso torna a imagem o ponto focal, ao fazer convergir para ela o olhar do espectador, como no punctum de Roland Barthes. Mas essa composição não deixa de traduzir a ideia de oferenda a Exu, “senhor da fertilidade e do dinamismo, o criador do mundo e dos homens, o guardião da ordem e da desordem” (Vagner da Silva, 2013). A referência a Exu também é expressa pelos vasos de aroeira, planta que tem o poder de limpar e proteger o espaço expositivo e o caminho de quem por ele transita. Na tessitura de caminhos possíveis enredam-se, portanto, experiências, vivências, pensamentos e memórias afetivas e culturais do autor.                                                                                                                                                                               

Almerinda Lopes

 

AMAS – Fisionomias e Desmembramentos

É com muito prazer que convidamos a todos para participar do lançamento do catálogo da exposição “Amas – Fisionomias e Desmembramentos”, do artista Luciano Feijão, no dia 7 de setembro às 19 horas, na Galeria Homero Massena.

O evento faz parte da programação do Viradão Cultural / Vitória 2018.

Aguardamos sua visita!

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O leite da ama queima a pele da negra

A Negra

Tarsila do Amaral, 1923, 100 x 81,3 cm, óleo sobre tela, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

 AMAS – Fisionomias e Desmembramentos

Luciano Feijão, 2018, vários formatos, nanquim sobre papel, Galeria Homero Massena.

A Negra – evocação da infância de Tarsila, das amas de leite, do ambiente ainda impregnado pela dinâmica escravocrata que tanto compareceu nas grandes fazendas onde vivia. Pintura que sustenta o Modernismo brasileiro a partir do “gosto pelo primitivo”. Sustenta ainda a ideia de uma iconografia nacional que, de maneira alegórica, contribuiu para circunscrever mulheres negras na construção ininterrupta de uma subjetividade racista secular.

AMAS – as formas que se racham para abrir um ponto de questionamento na concretude das “provas cabais”, deixando escorrer do desenho o fluxo imaterial das práticas históricas, que remetem ao chão mesmo das tensões e reviravoltas, à luta de forças, aos modos, por vezes incongruentes, sobre como a experiência da arte se atualiza. Aqui a figura da ama de leite insurge contra a racionalidade modernista, para se tornar uma proposição política insana. O leite que se pretende beber agora precisa do esforço dos seus filhos para sugá-lo, para que se reestabeleçam novas tentativas de criar corpos impetuosos, contrários a essa intangibilidade que nos tornamos depois da escravidão brasileira, a que produziu a subjetividade mais cruel, sutil e duradoura da história.

Fisionomia versus desmembramento.

A Negra – que neste contexto é fisionomia – encontra-se numa via negativa, entrelaçada a uma objetivação e achatamento do mundo, produzindo certezas e estereótipos característicos de uma dominação essencial.

Se pensarmos que A Negra não foi produzida para proporcionar a concepção inequívoca de uma comunidade que exige ser vista como parte constitutiva de mundo; se não existe espaço para que esta pintura dispare a própria visibilidade e consciência negra como uma experiência de luta na esfera pública, cabendo, portanto, a esta mesma comunidade, servir unicamente para preencher o papel de tipo etnológico e de produção de valor capitalista, então não há outra opção em AMAS que não seja se apropriar da pintura de Tarsila para fazer deste objeto a expressão de sua própria negação.

AMAS – que neste contexto é desmembramento – tenta manter o passado ativo no presente através da quebra da moldura. Moldura é fechamento. No desmembramento, os desenhos não estão condicionados a características fisionômicas, que trazem um sentido único à imagem proposta, mas propicia a capacidade de atribuir uma carga discursiva desindexada de uma certeza objetiva, ampliando, dessa forma, os efeitos reflexivos e críticos que estas imagens podem proporcionar.

A visão confortável do passado deve ser substituída pela visão política do presente. Na demarcação conflituosa dos espaços, a aposta no desenho – enquanto campo de atuação – talvez seja a opção pragmática de fazer com que os desenhados se convertam, em alguma instância, em documentos com validez política.

AMAS apropria-se de A Negra, trabalhando contra a hegemonia imaculada do objeto/imagem/propriedade. AMAS exige a presença de Tarsila, a convoca através de sua pintura, problematiza sua monumentalidade diante de corpos negros deformados. A Negra depara-se ao discurso antagônico de AMAS, se apresentando na atualidade do sistema de desigualdades no Brasil para desmitificar a si própria.

Para todas as amas, do passado e do presente; que vosso leite, antes propriedade de homens e mulheres brancas, seja hoje o combustível vivo de sua luta. Que o vínculo maternal, antes fictício, criado como artifício para que fosse suportável amamentar o filho branco de seu algoz, abra espaço para um amor não ficcional que possa fecundar novamente a criança que a usurparam, nascendo assim um novo corpo sensível aos atravessamentos da vida, que, na incidência sobre este plano comum, seja capaz de produzir mudanças significativas.

Luciano Feijão

 

Serviço

Exposição  AMAS – Fisionomias e Desmembramentos
Abertura: 13 de Junho às 19h
Visitação: 14 de Junho de 2018 a 08 de Setembro de 2018

Entrada Gratuita

Classificação Indicativa: 12 anos

Local: Galeria Homero Massena
Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 09h às 18h e aos sábados das 13 às 17h.
Endereço: Rua Pedro Palácios, 99 – Cidade Alta – Vitória – ES

Site/facebook:

https://www.facebook.com/ghmassena

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Tessitura: Coleção José Ronaldo da Rocha Copolillo & Família

Grandes nomes da arte brasileira estarão reunidos na Galeria Homero Massena, em uma exposição inédita no Estado. A exposição Tessitura: coleção José Ronaldo da Rocha Copolillo & Família trará obras de artistas atemporais como: Levino Fanzeres,  Di Cavalcanti, Djanira, Guignard, Volpi, Clóvis Graciano, Burle Marx, Orlando Teruz, Sonia Ebling,  Amilcar de Castro, Lygia Clark, Tomie Ohtake, Bruno Giorgio, Antônio Maia, José Pancetti, Tarsila  do Amaral, Manabú Mabe, Milton da Costa, Enrico Bianco, Rubem Valentim,  Ismael Nery, Portinari. A mostra terá a sua abertura no dia 07 de março, quarta-feira, às 19 horas, e inicia a temporada 2018 da Galeria Homero Massena. Entrada franca.

Com curadoria de Gorete Thorey e texto da professora e pesquisadora Almerinda Lopes, Tessitura traz trabalhos selecionados entre pinturas e esculturas que contam um pouco da história da arte no Brasil.

Reminiscências, arte e educação

De acordo com José Ronaldo, o ato de colecionar teve um início despretensioso com álbuns de figurinhas e selos postais dentro de casa, além de frequentar por vários motivos o Centro de Vitória. “Minhas primeiras lembranças foram com a minha mãe que gostava de arrumar a casa e botava quadros e móveis por todos os cantos, com as minhas coleções de figurinhas e selos junto com meu avô. Além de estudar, passeava muito no Centro da Cidade e frequentava a Galeria Homero Massena. Quando cresci, trabalhei próximo e isso me fez ter mais vontade de me inserir no mundo das artes”.

A exposição, assim como todas as outras que serão abertas na galeria, vai contar com um calendário especial de atividades educativas. Haverá bate-papo com visitação guiada, entre outras ações. “A Galeria é um ótimo espaço de troca de informações e aprendizado, além de ser frequentada por estudantes. Acho legal pois é uma ótima ocasião para as pessoas conhecerem tantas obras e as ações educativas”,  conclui José Ronaldo

Serviço

Exposição Tecitura: coleção José Ronaldo da Rocha Copolillo & Família
Abertura: 07 de março às 19h
Visitação: 09 de março de 2018 a 05 de maio de 2018

Entrada Gratuita

Local: Galeria Homero Massena
Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 09h às 18h e aos sábados das 13 às 17h.
Endereço: Rua Pedro Palácios, 99 – Cidade Alta – Vitória – ES

Site/facebook:

https://www.facebook.com/ghmassena
https://galeriahomeromassena.wordpress.com

Convite - Exposição Tessitura - Coleção José Ronaldo Copolillo e Família

“TÁTICAS DE GRAFFITI E NÃO GRAFFITI” DE RENATO REN

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Levantando questões acerca do real espaço da arte urbana Táticas de Graffiti e Não Grafitti, primeira exposição individual do artista plástico Renato Ren, leva à Galeria Homero Massena um registro (fotografias e vídeo) dos trabalhos executados pelas ruas  da Grande Vitória ao longo dos últimos nove meses. No conjunto de ações que compõem essa pesquisa, Ren, explora diferentes meios e desdobramentos do graffiti inserido no cenário underground e as suas possíveis relações com a arte contemporânea e os espaços ditos institucionais.

Segundo o artista, o acesso ao público nas ruas é infinitamente maior, assim como a liberdade para atuar de forma crítica. O movimento do graffiti, que ganhou força com o
crescimento da cena Hip Hop americana a partir da década de 1980, é subversivo em sua essência, um respiro marginal em meio à sólida paisagem urbana. Ren questiona a domesticação de tal prática ao afirmar que: “Não podemos ignorar sua condição contracultura ou delimitar o graffiti ao uso de tinta spray sobre um muro, o graffiti nunca é feito a partir de uma encomenda”, em contrapartida à linguagem estética que tem se tornado moda. Com um projeto político de observação periférica Táticas de Graffiti e Não Grafitti problematiza o que popularmente pode ser considerado graffiti, o que entendemos por patrimônio público e privado, o abandono e a degradação ambiental urbana, os espaços destinados à publicidade nas cidades, entre outras questões.

A exposição, aprovada no Edital 015/2017 da Secult – ES, tem Clara Sampaio como
curadora e projeto de arte educação desenvolvido por Kamilla Albani. A abertura da
exposição está marcada para o dia 24 de outubro de 2017, às 19h, na Galeria Homero
Massena.

BIO

Nascido em São Paulo-SP, Renato Ren se mudou para Viana- ES, onde encontrou no graffiti sua primeira relação com a arte. Ao longo dos anos, passou a ter contato com diferentes referências, transformando as antigas “tags” em um trabalho geométrico, hoje
facilmente reconhecido pelas ruas. Anos depois, decidiu estudar Artes Plásticas na Ufes, onde passaria a experimentar a simbiose dos dois universos: a arte contemporânea de acesso mais restrito junto ao que acredita realmente comunicar e ser capaz de deixar a cidade minimamente surpreendente. Além de artista, é MC no grupo de RAP Conteúdo Paralelo.

Redes Sociais do artista:
https://www.instagram.com/renato_ren
https://www.facebook.com/RenatoRenRenato

SERVIÇO:
Exposição Táticas de Graffiti e Não Graffiti
Artista Renato Ren
Abertura: 24 de outubro, 19h
Visitação: 25 de outubro 2017 a 03 de fevereiro de 2018
Entrada Gratuita

FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EXPOSIÇÃO “O VÉU DO REAL”

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Aconteceu nos dias 05 e 06 de julho de 2017 a formação de professores da exposição “O véu do real” da artista Re Henri. A ação educativa  contou com a presença da arte-educadora Carla Borba, que apresentou o material educativo da exposição e realizou propostas educativas com os professores. A artista Re Henri também marcou presença na formação e falou sobre seu processo criativo, além de conversar com os participantes e tirar dúvidas.

“O véu do real”

Durante sete meses de pesquisa, a artista adquiriu uma série de objetos em mercados de
pulga, ferros-velhos e feiras de antiguidades. Com base nesses achados, construiu objetos
híbridos compostos por espelhos, lupas, pinças, acrílicos e fotografias antigas. Uma vez que as fotografias costumam ser abandonadas quando a impermanência do objeto fotografado entra em conflito com a permanência da imagem fotografada. Refletindo sobre a materialidade da imagem e também sobre as camadas de realidade impregnadas em registros fotográficos, a artista propõe uma instalação que se conforma como um grande laboratório de pesquisa sobre o real.

“O véu do real”
exposição de Re Henri

Galeria Homero Massena
abertura: 11 de julho às 19:00;
de 12 de julho a 07 de outubro de 2017

segunda a sexta de 9:00 às 18:00; sábados de 13:00 às 17:00

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“O véu do real” exposição de Re Henri

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O véu do real

O retrato tem ocupado uma importância central na prática artística de Re Henri. É atualmente ao redor dele que pesquisa e cria seus trabalhos, objetos tridimensionais que constrói a partir de materiais encontrados e modificados. Lidando com assuntos do campo psicanalítico como imaginário, inconsciente e enigma da morte, a artista explora o fascínio por fotografias antigas.

Em seu mergulho para a criação desta exposição a artista revisitaria, além de álbuns pessoais, o acervo de retratos anônimos que colecionou ao longo dos anos. O encontro com a figura do desconhecido, em vez de suscitar a busca pelo fantasma e as histórias por detrás da imagem, levaria a artista a se questionar sobre o abandono desses registros encontrados em feiras de antiguidades, mercados de pulga e outros. O desapego pelo documento seria uma tentativa de esquecer o objeto fotografado?

A perda dolorosa do pai a colocaria frente a essa questão. A arte seria uma maneira de salvar os resquícios de memória que permanecem vivos. Assim, partindo de uma concepção do psicanalista Jacques Lacan sobre o real, a artista se lançaria à investigação sobre o instante esvanecido: é ele o fragmento do que jamais poderemos apreender por completo.

Refletindo sobre a materialidade da imagem e também sobre as camadas de realidade impregnadas em registros fotográficos, a artista propõe uma instalação que se conforma como um grande laboratório de pesquisa. Nela, objetos comuns ao ambiente científico se fundem a aparatos ópticos como lentes, lupas e espelhos. Os experimentos, divididos em núcleos de observação, parecem perturbar o que está gravado no papel: seriam esses mecanismos capazes de acessar o real?

Clara Sampaio

 

Serviço:

“O véu do real”
exposição de Re Henri

Galeria Homero Massena
abertura: 11 de julho às 19:00;
de 12 de julho a 07 de outubro de 2017

segunda a sexta de 9:00 às 18:00; sábados de 13:00 às 17:00